16 de janeiro de 2024

Sem Titulo 124

 Sonhe, se puder, sonhe.

Se achar que não, respire e continue não importam o que falem.

Sofra, não faz mal nenhum sentir mal ou mau.

Tenha cicatrizes, mas não esqueça de cada batalha que lutou.


Chore, lave seus olhos sempre que quiser.

Clareie sua alma mesmo que te joguem carvão.

Se perceber que não tem luz, seja-a.

Mas acima de tudo, não jogue seus sonhos no chão.


Sonhe com coisas boas que talvez só faça sentido pra você.

Demore um dia pra realizar, um mês, um ano ou dezesseis.

Juninho ser adulto é horrível, não tenha pressa em crescer,

Mas sonhar é a unica energia que alimenta um ser.


Ter trinta anos com rugas, defeitos em todos os cantos,

Mas ainda saber saborear um sonho, da forma como só nós fazemos.

Parar pra curtir mesmo parecendo se mover,

É meu jeito de existir, minha forma de viver.


Uma música, um disco ou mil horas de silêncio,

Em qualquer melodia nós caminhamos,

Pra você meu eu do passado, adolescente invernal,

Saiba que nós conseguimos tomar um café no mosteiro afinal!


E eu ainda vou viver pra realizar todos os sonhos que você sonhou,

Te carrego comigo, minha criança interior!

11 de julho de 2022

Sem Título 123

Acho que te amo de verdade. Pera deixa eu explicar.
São duas da manhã e ver teu sorriso dormindo é simplesmente meu lar.
Respirar aliviado em saber que tá tudo bem na minha fábrica favorita.
Na fazedora de ideias mais linda, na sua cabecinha.

Mas mais do que isso é te ver no teu normal.
Chateada com coisas pequenas, como a minha forma de por roupa no varal.
Me acolher de mão tão materna com um prato de comida.
De me fazer carinho, nas minhas noites mais vazias.

É de sentir falta de quando tu pede pra ver mais um episódio.
De causar por vezes pequenos picos de ódio.
Mas de teimosamente dividir meu lazer contigo.
De ter paciência com meu ser, de querer caminhar comigo.

De me fazer as duas da manhã escrever um poema cheio de energia,
De me fazer me desculpar por te acordar e ouvir toda essa cortesia.
Não penso mesmo que amores seja algo tão belo e perfeito.
Pois tu te tornas mais bela, quando em ti vejo um defeito e aceito.

Eu agradeço muito pela tua existência extra sensorial
E que sorte a minha de ter você aqui do meu lado, dividindo esse ninho de molas.
Que contornam nossos amores, brigas, abraços, lágrimas e beijos.
Perder tudo isso me desespera e me consome por inteiro.

A alegria de saber que tá quase tudo bem,
De sentir tua mão quentinha na noite fria.
Quero logo poder falar sério em teu ouvido.
Meu sonho maior é me casar contigo.

9 de março de 2022

Sem Titulo 122

Tu te formas de maneira frágil
Sempre acompanhada de neblina.
Anuncia feito nuvem de maneira ágil,
Teu bailar pelos céus tanto noite quanto dia.

Tu que as vezes se mistura com o sol,
As vezes não sabe tua hora de partida.
Quando vem  atrai todos como um farol,
Assim que toca rapidamente acaricia.

Muitas vezes tu vem forte, grossa que nem ventania
Esbraveja suas dores e tem trovões.
Mas com o tempo tu te acalmas e se alivia,
E ilumina de verde todas as plantações.

Tu que escuta as vezes ser mal querida.
Por tantos que nao entender tuas ações,
Te asseguro que essas palavras são sina,
De tantos que não se molham de emoções.

E quantas vezes que canto sob a tua presença,
Ampara meu choro, me tranquiliza e me deixa cantar,
Pra mim um dia sem você é uma seca tremenda,
Pois tua água tem em si a força de restaurar.

Tu que as vezes te aquieta e derrama por um momento,
Lembra de climas passados, outras tempestades.
Saiba tambem que até nisso há acalento,
Por todas as vezes que molha a minha face.

Espero que tenha entendido quem és, nessa fala rústica 
Pois teu andar é em circulos, valsa como música,
Muitos te chamam de chuva,
Eu te chamo de mãe e tu se chamas de Lúcia.

14 de dezembro de 2021

Sem Título 124

 Cansado de tudo corri
corri para fugir, corri para sumir

mas com alguma coragem,

corri

Corri para sair da labuta,

pra sair da rota de culpa

pra terminar o trabalho

pra não ver meus calos.


Corri


pra tu não mais me ouvir,

por eu não conseguir

e me faltar rimas


corri


pela vontade de fugir de mim

fugir daqui

da minha alma em ruinas.

10 de agosto de 2021

Sem Título, nem número

I sabele, Helena, isa, marrentinha, amor meu.
S ubitamente, senti contigo, um brilhas incandescente...
A conteceu, faz muito tempo, mas sempre é presente.
B ela tarde ensolarada quando saímos a primeira vez e de forma
E xtraordinária nossos interesses convergiram da maneira mais
L eve possível, como se nossos 
E spíritos, se conhecessem de outro tempo.

S entimentos inenarráveis tenho por ti e não há 
O utra forma de fazê-lo senão por escrever 
U mas linhas aqui pra eternizar essa data.
S empre me pergunto como posso escrever e não me repetir.
A contece que tua poesia é arte intransponível e infinita.

D eni, José, zero ou valdenir. Chame-me como quiser
E u quero sempre te ouvir.

Q ueria que teu nome fosse maior assim eu
U ltrapassaria a máxima de caracteres só pra te dizer que
E u te amo vida vida, e mesmo que hajam 
I ntempéries, seguiremos juntos. Pois não importa o 
R umo que decidirmos tomar, você me faz forte frente à qualquer
O bstáculo. Eu te amo muito meu amor... ontem, hoje, amanhã... do A ao
Z

17 de julho de 2021

Sem Título 123

 Olhei pro passado de onde me iludi,
quando eu me cobria de risos, evitando me ferir.
Vi que ali pouco de mim ainda habitava,
lentamente aquela alma leva, pesada se transformava.

Sonhei, vivi numa ilusão,
mas não me arrependo, não sonhei em vão.
Meus sonhos me ajudaram a persistir,
e atravessar barreiras que eu não pensava existir.

Hoje eu tendo me desafogar desse rio,
esse rio de lágrimas com pitadas de risos.
A casca já não suporta, meu sangue derrama,
o que me separa da morte é só os alguéns que me amam.

E mesmo nesses bravos espíritos,
que evitam de me ruir,
ainda os protejo de segredos,
que sei que dilaceraria ouvir.

De um dia, eu que pensava ser cientista,
alcancei o que sonhei.
No entanto a plateia bonita,
nunca existiu, como eu imaginei.

Com a gana de um suspiro mortal
me agarrei em cordas tão finas.
Não puderam me segurar nem evitar a ferida.
Desde o inicio, eu nem sabia, mas já era final.

Talvez final nem fosse, porque não existia.
E hoje só me resta os textos que escrevo....
Que, em muitos que um dia leram, já não persiste vida.
Ao menos o céu cinza eu ainda vejo.

E com o tempo descobri que buscar amor é burrice,
que deve-se aproveitar o que existe e sempre há.
O importante mesmo é se permitir o amor onde há o amar.

Eu vou embora daqui, agradeço a todos pela companhia.
Desde os fantasmas que já se foram, daqueles que causaram feridas,
tanto das pobres almas que me amam e me acompanharam.

Vou pra onde eu caiba, pra onde não tenha que me podar.
E se você leu isso e pensa que é impossível.
Te alerto, é imprescindível!
Se tu achas que não tem lugar onde te acolha, saiba que sempre existe um lar.

Espero que um dia, possas encontrar! 

16 de março de 2021

Sem Título 122

Eu sempre tento e reinvento formas de pensar
Sempre me convencendo que viver é bom
Como um abraço com os olhos fácil de sacar
Como um estranho que viveu um grande amor

E aí vem a condição de pensar
Sempre no se fosse, se antes não fosse, se agora fosse
Mudaria alguma coisa no final?

Eu sempre vou seguindo em frente
Eu sempre rio de mim pra não chorar
Como uma dança diferente
Enlouquecendo para se curar

A solidão e os fones das pessoas na estação
E um labirinto pra se livrar da dor
A força imensa dos que ainda podem se alegrar
Guiam de forma branda os seus corações

E aí vem a condição de pensar
Sempre no se fosse, se antes não fosse, se agora fosse
Mudaria alguma coisa no final?

Eu sempre vou seguindo em frente
Eu sempre rio de mim pra não chorar
Invento danças diferentes
Enlouquecendo para se curar

Eu sempre vou seguindo em frente
Eu sempre rio de mim pra não chorar
Invento danças diferentes
Me esbarrando até se encontrar

Dança Diferente - Maglore (adaptado)

28 de janeiro de 2021

Sem Título 121

Envelheci
Noto agora que aquilo já não mais me satisfaz.
Quero algo diferente.

Me exauri 
Vejo que o que pouco me prendia nunca me prendeu.
A dor de ser ciente.

Me envolvi
Contemplo que as amarras que eu mesmo construí me dilaceram.
Um asfixiar recorrente.

Suprimi
Entendo que fui além de todos em me por em xeque -
Mate o onisciente.

E percebi
Esqueço que poucas coisas agora trarão o riso fácil de outrora.
Não mais sorrio de contente.

Morri
Arrebatabdo-me num descascar nato, que não deveria sobrar coisa alguma, nem existir de princípio.
Findo, somente.

É... estou velho

21 de dezembro de 2020

Sem Título 120

Queria um café.
Mas daqueles de vó.
Mas que parâmetro mais sem fé
Sem nem de fato eu tive vó.

Cheguei na casa pra acalmar meus males.
Vi novos pesares.
Me derrubaram de novo, não me canso de levantar?
O que mais me irrita é não quebrar.

Mas onde estávamos? Ah no café.
Eu queria um doce.
Queria um que fosse apetitoso, né?
Que renovasse o dia ou a noite.

Eu precisava muito desse café
Mas não me adequava em companhia
Queria me sentar num vento qualquer
Perdido, mudo, buscando melodia.

O ajuste milimétrico do chão 

desajustado,

Em vão.

Também me desajustava...

Segurei a xícara
Quase me queimei de tão quente.
Mas não conseguia largar, tão linda.
Por aquele calor era diferente, era de gente.

Tomei minha xícara e precisei de música
Cambriana lançou cd novo, vamos...
Ninguém ouviu e eu acabei terminando
Sem roma nem rima.

E foi um puxe repuxe. Todo mundo queria saber onde andava José.
José foi tomar café.
E nessa xícara tão banal.
Desejava sumir e dormir meses num cafezal.

Eu nem consegui terminar o cd ainda volto pra primeira faixa.
Fora da caixa.
Perdendo a marcha.
Que poesia sem graça.

Mas até que eu queria um tédio.
Algo médio
Pra me remediar.
Um fim de tarde, um vento no rosto e um café pra tomar.

Obrigado pelo café.

Sem Título 119

Desesperado
Afoito no aflito
Queria mar
Voar para além aqui.

É demais desejar ser feliz.

2 de maio de 2020

Sem Título 118

Ela esta sentada de frente a mim
enebriante e fria como eu
a minha musica favorita roda assim
e ao meu lado está alguém meu

O sorriso dela era brilhantemente pontual
não esbanjava brilhos e alforrias
ele tinha um olhar receptivo afinal
de alguém que já sonhara mentiras

Ele olhava pra mim, atento
mas paralisado de falar
ela olhava esguia tentando encontrar
as palavras que eu punha nesse documento

Ele por sua vez perguntava se era isso
que eu queria me tornar
ela sempre olhando me dizendo que por isso
que queria me amar

Agora sentados num dos ecos possíveis
em vida de par, que de um romance mantive
sinto a alegria de a ele informar
nem tudo se tornou o que deveria pensar

Não foram aqueles meus amigos pra sempre
nem as musicas eternamente tocadas
algumas delas já esqueci da mente
e doutros amigos, só restou mágoas.

Ela respeitosamente entendeu eu repetir a chanson
e manteve paciência enquanto eu digitava
ele não entendia mas a razão
de que por pouco eu já não me alterava

O corpo atlético nunca chegou
as rugas já dão algum sinal
ao sorriso tão brilhante depressão se mostrou
e quando saiu, a seriedade virou natural

a casa tornou-se ideia
não mais habitação
se para alguns precisava ser bela
pra mim agora só precisava chão.

Tomei coragem e segui em frente
pra aceitar a me viver com ela
sabia que não era algo recorrente
mas deveria deixar abrir a janela

que eu agora olhava pro ele meu rejuvenescido
com tantos medos e dores nos olhos, moleque atrevido.
ainda virgem de dizeres, fazeres, falares e humores
que sua vida ainda não desabrochara...flores.

Ela parecia atenta e sentia quando eu a observava
a quem tanto discuti e briguei, em mim fez morada
a tantos desencontros e ajudas desajudadas
tornou-se minha companheira nessa estrada.

O mais absurdo era ver que ainda na musica antiga
minha amada, meu ex-deni, meu antigo amigo, minha isa
dançavam todos em total sincronia
ao fervoroso passo da ainda atual, melodia...

And we will never be alone again
'Cause it doesn't happen every day
Kinda counted on you being a friend
Can I give it up or give it away?
Now I thought about what I wanna say
But I never really know where to go

So I chained myself to a friend
'Cause I know it unlocks the door


14 de outubro de 2019

Sem Título 117

"Deixa de lado a esperança
Quem espera nunca alcança
Eu cansei de esperar
Quando não se tem memória se repete
A velha história"
-Alavancô -Karol Conka, Linn da Quebrada e Glória Groove

E eu não repito, não repito jamais,
frase que fica cicatriz que sara
carrego com nojo e abuso na cara
que não esqueci o que fizeram no cais

que surtei, quando quase me afoguei
que gritei, nos mares que chorei
que esperneei, mas terra alguma eu alcancei
então agora não vem de eu entendo eu sei.

Não você não sabe,
tu não tem nem noção
não vem de falsa piedade
que não quero tua mão.

Aqueles que com peso na consciência ficam
sinto muito informar,
mas agora renascido ando de cabeça alta,
problema seu se quiser a tua, abaixar.

19 de março de 2019

Pseudo-biografia


Só de te ver, já valeu o show da vida
Só de acordar e nascer, veja o sol, nunca é tarde demais
Só de contemplar o céu, já curou toda ferida
Pode mudar e crescer, segue em frente
Tudo pronto para um novo dia
Andar, andar, amar... correr
Me sinto perto demais!
Voar, sonhar, cair... sofrer
Levantar e andar de novo!
Só de lutar e perder
Me sinto forte
Fui até a morte, voltei
E trouxe a vida

Nada na vida é fácil
Nada assim cai do céu
Nada me traz o mal, quando eu me sinto bem
Nada mais alto astral que o amor de alguém
Nada me traz o mal, quando eu me sinto bem!

-------- Falamansa - Novo Dia --------

19 de fevereiro de 2019

Sem Título 115

As únicas palavras que escuto ecoam das correntes
as únicas mágoas que me atigem soam como enchentes
Em minha executável execução executo o exercer.
Encaro aqueles que cospem e meu rosto, desde o amanhecer.

É meio dia e meu único desejo é a morte.
Morte de ideias, morte de princípios, morte da sorte.
Imploro pra que o carrasco limpe a lâmina
garantindo que do espírito não sobrar o ânimo.

prenderam-me de falar, mas aqui ainda grito.
Prenderam-me de lutar, mas penso, ainda existo.
Destruíram minhas vestes por um traje subalterno,
Pensam que dominam o mundo em seus ternos.

A moça me olhou com pena, querendo um segundo de lamúria
Eu já entendia e em meu olhar respondia, que engula sua perjúria.
Não me bastas isso, eu quero minha liberdade,
O pecado maior foi tirarem minha força de vontade.

De certa forma eu até acho engraçado
Em poucos segundos eu estarei sendo libertado.
Eles, uma pena, padecerão em seus míseros estados.
Mas estão mortos nas suas pelas consciêncas de quem os tem tomado.

O executor acaba de pisar no chão preto
consigo ouvir de longe os clarões,
das estruturas que me prederam por tanto tempo
sinto como se fossem cômodos de mansões.

Ao fogo que ateiam, sinto meu espirito se renovar,
morro desta via miserável, pra em outra existência encontrar.
Vestígios que façam minha pós-vida mais alegre.
Além das cinzas que, ainda crente, posso presenciar.

5 de dezembro de 2018

Sem Título 114

Perene, invisível... indecifrável
Estou preso a desatinos do universo inexorável.
Aquele ponto tênue que você questiona sua existência.
Quando o café, que era tão doce, perde sua essência.
Rodeado de gente.
Tudo silencioso.
Já não sei se sou um ser vivente.
Ou apenas um desvairado pretensioso.
Tô aqui só de passagem,
Nesse estado, nessa cidade
Mas talvez ainda mais além.
Sendo passageiro daqui ao além.
Dentro o ciclo vazio que supos"r"tamente estou inserido.
Questiono pelo ser eloquente.
Uma vez pura e tão somente vivido.
Aquela luz que brilha é de fato incandescente?
Abalado, não tenho mais água pra lágrima.
Esmigalhado, já não há espaço para receber mágoas.
Inabalável, por ter sido inúmeras vezes destruído.
Cansado, por ter infinitamente revivido.
Dentre a noite com pretensões astrais.
Permito-me a ocasional companhia.
Não porque esteja necessitado de humores além mentais.
Mais por compreender que a vida é vaga afinal.
pfw 8671.

12 de novembro de 2018

Sem Título 113

Ô chuva quando tu cola na mangueira,
Parece ser ainda mais verdadeira...
Conduz tua fluidez no meu espírito.
Transforma em equilíbrio todo e qualquer desatino.

Se tu soubesses a batalha que vem sendo por esses anos.
Mas tu sabes né? Sei que vives me acompanhando.
Hoje tu viera humilde, calada e manteve seu ritmo por todo o dia.
Logo hoje que acordei frio, xícara de café vazia.

Com vontade de falar pouco e sentir muito.
Sentir todas as alegrias e dores do mundo, durante apenas um mísero minuto
Hoje eu precisava muito de você.
E você veio me receber.

Tu sabes que é meu divino, meu espírito manifestado.
Pois muitos gostam de ver o sol estalando raiado.
Mas nenhuma alegria supera esse fino estado.
O momento melancólico de um dia nublado.

Ah chuva, se tu soubesses como sou por ti viciado.
Que paro qualquer coisa pra conversar contigo.
Mas a vida ensina de maneira grosseira, ao contrário dos amigos...
Que conversar as vezes deve ser restrito.

Deve as vezes morar no silêncio, contemplar no calar.
Amadurecerfância do existir à falar.
Pedem que eu me distraia escrevendo poemas.
Mas assim como lágrimas, eu não forço meu texto. Apenas começo a chorar.

Como tu aveludadamente acaricia as folhas do quintal.
Transforma toda a energia ruim em potencial.
E diz baixinho pra mim, num tom maternal:
Se perdoa um pouquinho, você não é um menino mal.

20 de setembro de 2018

Sem Título 112

O estranho chega na praça de alimentação,
Uma rotina já usual
Não esperava encontrar uma menina que então,
O faria refletir afinal.
Ela comia enquanto ele ouvia músicas.
Ele se espantou, quando num olhar qualquer,
A viu contemplar de maneira rústica.
O concreto estático sob seu pé.
Ela olhava para o nada, um olhar sincero.
Havia conversa em torno dela mas ela não ouvia.
Refletia parada sobre o almoço, o refresco, o mistério...
Ou que sabe procurava onde andava sua alegria.
Ele ficou fascinado com ela
Sua esposa eterna às 18:50.
Já se contentava a estar contemplando-a
Sabia que nada dali seria dado sequência.
Mas o que mais o chamava atenção era seu puro desinteresse, encarando-a.
Ele queria escrever sobre o que sentia.
Que entendia o vazio que ela via.
Que poderia ajudar a entender a melancolia.
Na certeza que nunca ter-se-á alegria.
Mais uma colherada e tudo acabaria.
Ela levantara e saira.
Ele queria amá-la, mas não por luxúria.
Amá-la porque ele viu nela, pelo vazio ternura.
Ele escrevia em pé, na saída da dita praça.
Talvez Fernando pessoa o recebesse com graça.
Ele já não teme ser tão esquisito.
Pior é aquele que se nega a tudo isso.
O louco canta e grita na rua: Sofro, mas estou vivo!

11 de setembro de 2018

Sem Título 111

Com olhos novos posso rever rostos inéditos
contemplar a mudança dos prédios.
Lembrar do que vi na infância,
suspirando admirado, frente a tanta mudança.

Mas relato nessas linhas espirituais
relatos de um ex-cego de tempos atrás.
Conto com certo acanhamento todo o ocorrido:
Acho que estou enxergando mais que o merecido.

De início eu via o rosto daqueles porquem chamo de amigo
daqueles que chamo de irmão com toda minha potência
disse que eles eram lindos com todo o coração (já sofrido)
e distribuia "eu te amo" com bastante frequência.

do que você está rindo?
há algo por aqui engraçado?
sua insensatez consegue deixá-lo tão frio
ou realmente não consegue entender meu estado?


Comecei a ouvir obrigados ao invés de gratidão
comecei a ver coisas além compreensão.
Percebi que minhas contas estavam mais claras,
mas alguma coisa ainda parecia estar errada.

As plantas torna-se-iam cada vez mais fantásticas
exuberantes em cores além plásticas
conseguia enxergar a vida com um olhar mais artistico,
mas esqueci que quem vê a arte, também corre risco.

Notei amores, vi o rosto dela, seu sorriso irradiante,
cheguei até a chamar de opaco qualquer cristal de diamante,
imergia-me em cervejas e cigarros vagabundos,
afinal o branco da fumaça era ainda mais puro.

do que você está rindo?
há algo por aqui engraçado?
sua insensatez consegue deixá-lo tão frio
ou realmente não consegue entender meu estado?


O médico recomendou que eu tomasse cuidado,
a lente poderia se deslocar com movimentos brados,
mas ele deveria ter avisado algo que jamais imaginaria:
que eu me arrependeria de enxergar a vida.

Na pressa acabei contemplando um lado bom também,
caminho pela chuva sem embaçar a vista
mas meu espirito sempre conseguiu ser lavado (amém)
mesmo que com lentes mais ríspidas.

Eu consegui olhar meu rosto, talvez quase sem vida
identifiquei minhas rugas, todas contando histórias
vi o quanto meu sofrimento se acumulou em tons de cinza
de noites fantásticas de depressões sórdidas.

do que você está rindo?
há algo por aqui engraçado?
sua insensatez consegue deixá-lo tão frio
ou realmente não consegue entender meu estado?

Fugir tornou-se algo inadimissível,
agora além de sempre escutável, tudo era visível.
Passei a tentar ver o lado bom das coisas, filosofia banal
mas era cada vez mais difícil achar algo naquela bagunça descomunal.

E queria uma ajuda franca
talvez bem mais que palavras
queria abraços honestos
palavras para além do bem e da alma

Eu queria ver espiritos aqui
além da menina na mangueira
espiritos que pudesse se comunicar
ver além da casca e do enfeitar.

do que você está rindo?
há algo por aqui engraçado?
sua insensatez consegue deixá-lo tão frio
ou realmente não consegue entender meu estado?

Talvez você não entenda, o que eu quero dizer
forte densidade emocional não é para todo ser
a maioria só consegue fingiramar um unico coração
não porque ama com a alma e sim porque afunda-se em paixão.

Talvez eu devesse esquecer minhas lentes
deixá-las cair por ai,
na busca de que um ser mais frio e pálido
pudesse algo realmente ver e vir.

Isso seria covardia um tom desproporcional
e eu enxergo marra em mim muito antes do normal
e se tu recusas a mão a mim, eu sentirei a dor
senti a saudade dela, de um amor que nunca chegou.

Como já senti a saudade de tantos, tu nuncas imaginou
outros amigos, passados, amores, canções, sábados, frios.
teclas, jogos, sorrisos, cafés, fones de ouvido, desatinos,
amigos imaginários, receitas mal sucedidas, hematomas.

do que você está rindo?
há algo por aqui engraçado?
sua insensatez consegue deixá-lo tão frio
ou realmente não consegue entender meu estado?

Meu cansaço vai para além do que se pode obrigar
demanda um pensamento e um pensar:
até quando meu sonho será suficiente
para a dureza da vida aguentar.
Até meu choro tornou-se escasso
as lágrimas andaram viajando,
a tristeza vem mais afunda em si,
como um poema sempre se contando.

Minhas lentes mostraram verdades
além da insensibilidade que devo aprender a ter
é preciso ter mesmo assim em mente:
Depois que anoitece, sempre torna a amanhecer.

Nessa alvorada que surgirá, teu riso nem me importará
nem o dela, nem o dele, nem o seu, caro leitor
já terei desistido de canções e cartas de amor
e ficarei mais próximo da essência pura do vagar.

7 de julho de 2018

Sem Título 110

A gente percebe depois de um tempo que tá cansando
A gente simplesmente se cansa
E hoje eu tô enjoado e enojado da ânsia
de ter por tantos me esforçado.

A gente cansa de insistir em amizade
e ver que não tem retorno
de regar com amor e decoro
palavras que sempre ecoam superficialidade.

A gente cansa da rotina
mesmo que seja tão metódico
pois não fazer o óbvio
começa a ser alegria.

A gente cansa de argumentar
se a gente nunca é entendido
ou quando nunca é ouvido
mas sempre te querem pra escutar.

A gente cansa de ser gentil
com o mundo sempre apunhalando.
Como cão, em uivos amendrontando
toda forma que já existiu.

A gente cansa de se dedicar
e ver que não tem nada em volta
alguns dizem que não vale a revolta
que não se deve se expectivizar.

A gente cansa do bom dia,
da ajuda amiga,
do abraço acolhedor,
sendo que no frio, nunca vem calor.

A gente cansa de esperar algo
de chamar pra sair
de torcer pelo existir
de quem jamais tenha tentado.

A gente cansa de tentar entender
de abstrair de paranóias
mas as vezes as coisas são óbvias
e se finge não perceber.

A gente cansa de insistir,
de calar a mente
de só o coração ouvir.
Quando eles apenas mentem.

A gente para e percebe
que se vale um pouco mais
que quando toda a confusão se desfaz.
sou eu quem lágrima, bebe.

A gente cansa de dar afago
atenção e bondade
a quem tem o mínimo esforço
e parece já estar na metade.

A gente cansa porque nos cansam
e me cansam porque não querem se cansar
Ainda que eu corra mil os campos que lançam
nem meia palma por mim vão caminhar.

A gente cansa de chorar
de se fazer de mínimo
de se sentir vazio
pelo amor não chegar.

A gente abraça o ódio,
a tristeza e a solidão
porque dentre os males sórdios
há aqueles que sempre estão.

A gente cansa e eu quase explodo
nesse cansaço infernal
mas se eu explodir sou eu mesmo
que cato meus cacos no final.

A gente se cansa e eu cansei
já basta de mendigar o amar
que ele procure outras casas
porque na minha, porta já não há.

A gente se cansa e eu cansei
prometo o que estou dizendo
vocês não verão mais meus lamúrios
nem dizer que não estão me entendendo.

Minha subjetividade, minha arte
são quem eu sou
não vou trocar meu estandarte
por quem nunca me observou.

A gente cansa e eu quero descansar
mergulhar no meu vazio existêncial
porque de todas as pragas que me afetam
essa, abraça-me, até o final.

Prefiro então excluir-me
mas desta vez sem invenção
sem dante ou roan,
apenas deni, em emancipação.

Que minha solitude se propague
em cânticos, perceptivos
e que quando tu leres isso,
já não esteja perto de teu ouvido.

26 de junho de 2018

Sem Título 109

Tenho surtos e fortes picos de loucura.
Que se intercalam por suaves toques de ternura.
Alguns preferem não se envolver muito com meu ser filosófico.
Mas algum poucos se arriscam a tentar entender esse melodramático propósito.

Recebo prêmios, artigos, adjetivos e letras.
Que pouco dizem sobre mim, mas querem que eu perceba.
Mas eu prefiro parar e olhar para rua...atenta e corrente.
Vejo rostos desconhecidos andando e...seguindo em frente.

Espero com uma chave que não é minha
Com uma fase que não é minha.
Numa rua que não é minha.
Com um por do sol que não vinha.

Espero que ele traga respostas, que ingênuo de minha parte.
Aqui se vive muito mais pela não arte.
Espero que me entender, aquele amigo possa.
Mas não posso forcá-lo a despencar na minha visão de morte-grossa.

Quisera eu não ser tão inflamável.
Pouquíssimas dores me seriam algo tragável.
Mas ainda bem que sou assim ígneo.
Ao menos vejo as cores de meu inferno-consigo.

Sento no balcão frio se granito.
Bem como faço todas as noites.
E repito, sozinho, comigo.
Não é de todo o açoite.

Porque mesmo tendo a ciência que tudo isso é nada.
Que serei esquecido.
Que serei vivido.
Sei que que existir para um futuro é dever de cada.

Escurece...
Vem o frio da noite, traumaticamente amigável.
Amanhece...
Com todo recomeço, vida e existência em si imaginável.

Tentei por fim nisso tudo.
Mas em mim mesmo não consegui fazê-lo.
Ao invés tomei pra mim, meu manto de andarilho primeiro.
Que vaga, que ajuda e desistiu de esperar por sê-lo.

Conversas vagas eu aprendi a ter.
Sorrisos falsos aprendi a entender.
Até o saúde depois do espirro que nunca tiveram.
Percebi que talvez não seja sobre ocorrerem e sim sobre esperaram.

Vago. Sou turvo.
Desencaixadamente pertencente.
Sou cheio e translúcido.
Amigável de ato detestavelmente.

Já não espero por algo,
Correspondo-me com o nada.
Meus irmãos são pontos de apreciação. Um trago.
Perco ao perdoar-me pelo que tu jamais tentara.