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16 de janeiro de 2024

Sem Titulo 124

 Sonhe, se puder, sonhe.

Se achar que não, respire e continue não importam o que falem.

Sofra, não faz mal nenhum sentir mal ou mau.

Tenha cicatrizes, mas não esqueça de cada batalha que lutou.


Chore, lave seus olhos sempre que quiser.

Clareie sua alma mesmo que te joguem carvão.

Se perceber que não tem luz, seja-a.

Mas acima de tudo, não jogue seus sonhos no chão.


Sonhe com coisas boas que talvez só faça sentido pra você.

Demore um dia pra realizar, um mês, um ano ou dezesseis.

Juninho ser adulto é horrível, não tenha pressa em crescer,

Mas sonhar é a unica energia que alimenta um ser.


Ter trinta anos com rugas, defeitos em todos os cantos,

Mas ainda saber saborear um sonho, da forma como só nós fazemos.

Parar pra curtir mesmo parecendo se mover,

É meu jeito de existir, minha forma de viver.


Uma música, um disco ou mil horas de silêncio,

Em qualquer melodia nós caminhamos,

Pra você meu eu do passado, adolescente invernal,

Saiba que nós conseguimos tomar um café no mosteiro afinal!


E eu ainda vou viver pra realizar todos os sonhos que você sonhou,

Te carrego comigo, minha criança interior!

10 de dezembro de 2017

Ainda sou uma...Criança?

Roan! Ah quanto tempo não conversamos! Desculpe a demora, mas as disciplinas do mestrado acabaram ocupando todo o meu ano. Não consegui escrever meus poemas nem ler outra coisa além de estatística. Ao menos eu estou feliz nesse mestrado. Sem dúvidas é o que eu quero fazer da minha vida!

Te escrevo porque um ocorrido de minutos atrás serviu pra entornar o copo das percepções, aquele que falei que eu crio quando alguém fala alguma coisa de mim e quando outras pessoas falam a mesma coisa ele vai enchendo, enchendo até explodir feito bomba e eu começar a pensar de fato nisso. Dessa vez eu vejo que com 23 anos eu ainda sou uma criança...Ao menos é o que dizem tu acreditas? Só porque falo com meu templário amigo imaginário não significa que e eu seja criança...na verdade significa mais que estou louco do que na infância...risos...Algumas pessoas já disseram várias vezes que eu sou uma criança grande ou crianção como falam.

Pensei inicialmente que eu poderia ter problemas com as mulheres com isso, elas sempre me achariam ridículo e seriam os caras fortões, mau humorados e ranzinzas seriam os mais aptos a romances e melodramas?

E no trabalho? eu não seria levado a sério como sou na roda de amigos que supostamente pertenço?
Estaria eu fadado a ser uma criança aprisionada nesse corpo que envelhece e cresce?

Não sei Roan...Talvez a criancice seja a pureza sabe? o contentar-se com pouco, o rir com o básico, a ser básico, uma alma andarilha que vaga solitária, mas um palhaço, não escrachado, mas que tenta simplesmente levar graça à vida das pessoas, tornar esse acinzentado todo menos desgostoso, mais doce...Talvez seja infantil rir do bom dia que o sol dá todo dia e que ninguém, nos seus smartphones, carros, casamentos infelizes, namoros falsos, presentes míseros, vidas vagas que muitos levam ai. Nesse sentido eu sim sou uma criança, mas sabe Roan, eu não teria problemas em ser sempre assim...Em levar a vida de maneira simples e buscando a pureza das coisas como nos olhos das crianças. Talvez eu ainda seja uma criança, mas não tenho problemas em morrer assim, deus me livre morrer adultescendo ou adultescer morrendo...

E ai em prontera? Como vão as coisas na sua jornada? quisera eu ser paladino ou bardo e ter nascido nesse teu tempo. Forte abraço Roan! boas aventuras em midgard

de seu pequeno aprendiz,
jr.

23 de março de 2017

Na verdade não

Ah roan!!! quanto tempo não falo contigo meu grande irmão! Como você vai? Aqui está simplesmente um caos, com todo direito de sê-lo. Vivendo uma vida nova, estou em outro estado realizando aquele sonho que você sempre viu em mim, mas nunca me disse. Mas é difícil.

Permita-me lhe contar alguns percalços: as pessoas são ambíguas e severamente hipócritas...Em minha partida, coletei lágrimas e juras de saudades extremamente densas e profundas...estas tão repletas de abraços e acalantos que me fez cair em desgraça e dar voto de confiança. Fora um punhado extremamente escasso de seres que se comunicam comigo (talvez duas pessoas) algumas vezes e de meus iluminados pais (que, mesmo com tantos percalços, trouxeram me aqui e me aqui e choraram minha estadia com a profundidade que só um amor dado a vida é capaz de fazê-lo) nenhum outro ser demonstrou qualquer interesse em manter contato, mas meu irmão, com o brilho de seu gládio, ilumine-me e diga: por que eles mentem em se interessar se na verdade não querem de fato expressar?

Qual o problema das pessoas em agirem dessa forma? Andei perguntando em minha solidão mais constante nesses últimos dias e não vejo nenhuma resposta que justifique as pessoas serem secas, ou então piores: agirem como atores que se importam contigo, mas em primeira oportunidade estraçalham o próprio discurso. Será isso uma falha de caráter delas? Ou nem elas mesmas sabem no que estão envolvidas? É tudo amargo a não ser o céu daqui, que é o mesmo do de lá, embora brilhe para outras luzes.

Outras vezes penso que o assunto se tornou mais denso do que o que consigo aguentar...Será que é este o fim da linha? é impossível amadurecer mais que isso e todos nós temos limites para a amadurecência? Falhei e nada posso fazer? Não sei Roan, não sei...É tudo difícil de compreender e mando-lhe essa carta sem esperar alguma resposta (afinal somos a mesma pessoa, assim como o Dante e se pudesse me aconselhar, eu já teria resolvido e contornado a problemática), mas apenas para dividir um pouco da dor para com quem eu sei que ouvirá minha prece.

Mas não penso em desistir, não ainda (embora seja desistimulante ouvir que tudo é necessariamente difícil e complexo, aliás, qualquer depoimento sobre a graduação é ignorado, os alunos mais antigos formam um sistema que massifica o aluno novo como burro e desconhecedor). Os dias seguirão, logo essas duas semanas tornar-se-ão meses e depois o programa todo. E você meu grande amigo? como está? o que conta de novo? Aguardo sua brevidade na carta pois sei que é o único que me responde de maneira tão fidedigna quanto eu falo contigo. Abraços do seu aprendiz, Deni.

Se cuide Templário
e se der, cuide de mim um pouco.

17 de julho de 2016

se lembra?

sai de casa tão apressado hoje, tinha uma aula de regressão! ainda bem que a chuva não me impediu de ir... mas antes de pensar no dia de hoje eu olhei pro calendário...fazem três anos que minha vida deu uma mudada gigantesca. Eu partia de uma cela minúscula e cinza pra um mundo onde eu poderia ter a liberdade de ver, de existir.

Foi no dia da mentira que eu descobri a vida acadêmica. Até hoje não acredito, roan! Sempre tive o pensamento que eu poderia menos, que faria menos, que sou menos... e entrei na universidade? caramba que mundo grande lá. Além de aprender eu ia conhecer gente nova e me desapegar de vez do colégio e de toda aquela carga emocional que lá existiu...assim como o foo fighters eu estava aprendendo a andar de novo.

Conheci muita gente mesmo, na verdade eu sempre me prometi que conheceria o máximo de pessoas que eu pudesse... viver naquela solidão de casa era sempre algo muito desgastante e você sabe disso...parece que...só você sabe disso. Cheguei a pensar inclusive que eu tinha encontrado amigos para me completar...

10 de setembro de 2015

Para não ser igual na diferença

O ser é acima de tudo individual, singular e detentor de suas devidas características, ter habilidades pareaveis e comparaveis é algo realmente costumeiro... Tal fato entretanto nunca deve ser enaltecido. o ser deixa de ser cada vez mais quando se é comparado à algo ou à outro ser. Transcrever aquele com este acaba por fazer um ato horrendo: destrói-se dois seres de uma só vez.

Penso que o ser é necessário de caracteristicas, ainda que conhecer o outro seja impossível em todas as instâncias (pois é impossível conhecer tudo de um ser, nem que seja de si). Mesmo conscientes disso, somos enganados pelo cotidiano. Não é estranho ver uma pessoa ou duas para qual proferimos a frase: agiu como fulano, pareceu-se com beltrano e etc. Parece que a única solução seria conhecer poucas pessoas ou nunca se empenhar em conhecer ninguém. Não podemos julgar ou comparar o desconhecido.

Ainda em instância final Roan, peço que entenda que comparar é um erro tão forte quanto matar ou deixar morrer. Estas destroem o ser biológico, enquanto aquela destrói o ser por dentro, como se tu pudesses tomar litros de ácido fluoridrico de uma só vez.

Peço ainda que não me compare jamais, não tomo ações pensando em parecer com algo. Tento tomar ações por ser pensante e mutável. Sou indecorosamente mal educado com o estático e fervorosamente ancioso com o instável. Sejamos amigos, irmãos de consciência, mas nunca sejamos iguais... Isso nos mataria e arrebataria todas as capacidades de um singular ser. do solitário momento que é o existir.

Então digo-lhe que não devo lhe dizer nada, pois é juiz de tua vida, como tu também não podes me falar sobre o que devo ser, com quem devo estar e como chamo as pessoas a minha volta. Dai-me o direito de amar e odiar quem eu quero.

Que não sejamos iguais nem em ser diferentes.

25 de julho de 2015

Por que há um choro de felicidade?

Poucas horas atrás, cheguei de um compromisso e resolvi passar na barbearia para tirar um pouco da barba, um compromisso até então extremamente vazio e simples. Na televisão, passava um programa que tenta ajudar as pessoas (daqueles que sempre penso que é tudo armado, para tentar demonstrar a felicidade como bem midiático, acho muito estranho a necessidade de exibir que está se fazendo um bem). O cara participava de uma armação, feita pelo apresentador do programa, e soube, logo em seguida, que sua moto harley davidson seria reformulada. Ao saber disso o cara simplesmente começou a chorar...

O que me fez escrever essa carta para você, meu amigo roan, é muito mais que um mero programa, foi um pensamento que fui diretamente jogado. A senhora que cortaria minha barba, estava neste momento cortando o cabelo de outro cliente e proferiu uma pergunta extremamente sábia: Porque ele chora? Se ele está feliz não deve rir?... Fui arremessado a outro universo (aquele que te contei na tarde passada, enquanto tomava café). Estava agora perguntando-me várias vezes, afundado em memórias: Porque ele chorou de alegria? claro, deve haver uma carga hormonal que acelere batimentos cardiacos a ponto de trazer a lágrima, mas geralmente despredem-se rios inteiros em momentos de alegria intensa.

Refleti sobre isso, aliás, já refleti muito sobre isso em tempos passados...Acredito que o ser que chora ao ter um momento de felicidade, reflete sobre não só o momento alegre em si, mas também ao sofrimento que se viveu até esse momento alegre. Quantos momentos, que o tornava feliz, foram privados quando esse cara perdeu sua moto? Chorei muito quando entendi que tenho amigos de verdade, quantas vidas a cada dia eu vivi só? Portanto Roan, onde quer que esteja, saiba que choro de felicidade é isso! uma reflexão ao que não se teve, ao que se sofreu e foi remédiado pelas ações do outro, de si ou da vida. Ao menos eu penso que é isso.

3 de junho de 2015

Se reconhecer é preciso

sabe meu caro, vi devagando em uns pensamentos hoje. Não conto-lhe sobre minha vida, por não querer ocupar muito do seu tempo nem expor-me demasiadamente....Mas conto que já caí muito entende? Apanhar de processos que ocorrem na vida sabe? Aqueles que te fazem cegar, perder o chão, o tato, a esperança, a paz... Achar que ali é a consequência final.

Muitos me chamam de dramático ou melancólico por ter tais pensamentos, mas acho que acabo vendo a vida de uma maneira um pouco menos fantástica e mais real.

Dai eu parei e pensei em quantas vezes eu já não caí, quantas vezes eu fiquei com a persistência de que tudo acabaria ali mesmo. Mas depois de repousar minha existência eu volto um pouco mais forte.

A verdade é que a gente só sente que aquele sofrimento não significou muita coisa quando tem um sofrer maior pra encarar. A gente aprende a encarar o próprio sofrimento de maneira menos surreal quando estamos passando por um momento ainda pior. de repente arranhar a perna não dói muita coisa se você está com o osso quebrado.

Há algum tempo um grande amigo, e aqui fica um agradecimento a ele (não sabendo se ele lerá ou não tal texto), disse-me que deveria dar mais valor as minhas conquistas. Eu sempre cresci num espaço sentimentalmente apertado e dolorosamente angustiante. Ali, qualquer ato de autoreconhecimento era dado como egocentrismo e fervorosamente remediado.... Pacientemente, e eu diria demasiadamente pacientemente, esse meu amigo sempre insistiu para que eu me reconhecesse.

A realidade meu caro, é que todo tipo de elogio, num processo de laranja-mecanização comportamental, me tornou algo volúvel e totalmente sem valor. Seja algo vago como uma opinião sobre a externa-estética (que sendo sincero, é muito raro) ou algo supostamente mais concreto como o conhecimento, o afeto, dentre tantos outros.

E se, meu amigo, estou escrevendo isso é porque algo está me incomodando por demais.
Hoje o dia não foi exatamente fora do habitual, mas um pouco mais intenso. Dentre várias observações pude perceber uma ideia muito importante: Se você não se reconhecer, ninguém irá conhecê-lo...

É bem verdade que até podem existir algumas pessoas com tamanha iluminação que tentem te ajudar a se iluminar melhor, mas a maioria luta pouco a pouco para te obscurecer, te reprimir.

Se reconhecer é preciso, ou isso ou eternamente viver numa cegueira do ser.

Fim da área Penso logo escrevo

Apenas uma mudança simples em relação a uma área do blog, notei que os textos de penso logo escrevo sempre parecem como desabafos ou exposições de ideias como se eu conversasse com um alguém, devido a isso, escolhi mudar de nome para Cartas.

Espero que gostem.

28 de maio de 2015

A amargura da realidade?

É amargo viver na realidade?

As pessoas acabam idealizando as coisas que não podem acontecer do que realmente se empenhar nas possíveis. Passam a ser efêmeros por serem excessivamente sonhadoras. Estas acabam pensando na em grandes conquistas, grandes amores, grandes encontros. Se acostuma mais em dar a vida toda para ver o ídolo da banda favorita ao invés de pensar no show daquela banda com os amigos, pra simplesmente sair sabe? fugir do cotidiano, viver...acho que talvez seja isso, a gente se acostuma em planejar a vida ao invés de vivê-la. Devido a isso acabamos de jogar o simples no lixo, deixamos de aproveitar oportunidades de pequenas coisas para planejamos grandes infinitos de impossibilidade.

Sabe aquele cientista do século que você quer ver pessoalmente, aquele carro de última geração que você quer ter, aquele CD que custa o seu salário? sabe aquele encontro com um amigo que você não vê a décadas? Já pensou que tudo isso tem grande chance de não acontecer? é muito mais possível ter um papo franco com seu professor, comprar um carro popular de segunda mão em boas condições, comprar um CD de uma banda menos conhecida que seu colega te falou ontem, é até mesmo mais fácil aprender a conviver um pouco com que está a sua volta ao invés de se isolar num grupo extremamente pequeno de pessoas.

A vida pode ser mais tênue, mas nem sempre a gente pensa nessa possibilidade. Prefere abusar da imaginação. Isso não é errado. Imaginar e trabalhar com possibilidades é ótimo, o problema surge quando se cria um mundo irreal, onde tudo é possível. Lide com isso: nem tudo é possível.

Sim é amargo viver na realidade, mas é mais amargo acordar para ela. Se é assim, porque não simplesmente aceitá-la e tentar ver a beleza de um mundo cinza ao invés de enebriar-se num oceano de cores que cegam?

17 de fevereiro de 2015

Frequência Afetiva

Caros leitores, antes de mais nada eu gostaria de justificar esse título com um texto que deixarei mais abaixo (seguido da minha reflexão sobre o mesmo). É um texto que encontrei depois de navegar por hiperlinks e que fala sobre amizades, achei muito interessante o incômodo ao pensar que me foi proporcionado e quis dividir com vocês:


Frente a esse texto eu me ponho a perguntar: Quanto você investe numa amizade? Você conhece aqueles que chama de amigo?

Há quem diga que existem amigos que podem ficar anos sem se ver, sem trocar uma ideia sequer e quando se reencontram a amizade continua exatamente igual...Particularmente eu não acredito nisso e peço desculpas a quem segue tal pensamento. Acho que amizade carece de proximidade, de alguma forma que seja. Uma pessoa que você tem tal nível de amizade pode até existir, mas não será tão sua amiga quanto aquela que passou por muitos fatos com você, que dividiu choro, partilhou alegrias...viveu. Claro que se a pessoa tem uma influência boa e me faz bem ela sempre será lembrada, mas será de fato uma Amizade (assim com 'a' maiúsculo)?

O que eu quero dizer é que nós colocamos sim as amizades em níveis e quem disser que não, ou mente para si ou não percebeu isso. Temos uma relação de amizades com pessoas da nossa infância (não é meu caso), com pessoas do nosso colégio, com pessoas da faculdade/trabalho, com a acadêmia. Mas como o próprio texto falou "A verdade é que quanto mais relações afetivas você tenta manter, mais você tem que disponibilizar o seu tempo e fazer escolhas em prol delas". E essas escolhas estabelecem níveis de entrosamento, convivência e, porque não dizer, intimidade. Não há mal algum em assumir ou notar isso, nós fazemos isso simplesmente porque não podemos atender a tudo ao mesmo tempo. E se, temos múltiplas prioridades, na realidade teremos exatamente uma prioridade?

Eu tenho amigos que vejo praticamente todo dia e que me dou conta de que isso não é monótono, algumas delas ainda falam que sentem minha falta se eu não vou apenas um único dia ao ambiente que tenho costume (a faculdade). Tenho amigos que vejo duas vezes por semana, enquanto treino kung-fu wushu shaolin do norte, embora eu queira vê-los mais tempo (e até combinamos alguns eventos juntos) eu gostaria de conviver mais com eles...Como fazer? Eu dedico o tempo que temos juntos de maneira integral, me desligo do resto pra aproveitar ainda mais intensamente.

E o título de melhor? esse título as vezes causa problemas e nem sempre gera correspondência entre as pessoas. Dizer que tem um melhor amigo é praticamente dar um tiro no escuro na frente dos outros amigos, muitos interpretam como único e não é bem assim. Outros preferem dizer melhores amigos, mas não haveria um melhor dos melhores? Por mais competitivo que isso possa parecer, não me parece tão inacreditável...De toda forma voltemos a frequência afetiva e deixemos as definições de lado.

Eu realmente tenho sorte se vejo meu melhor amigo duas vezes num mês. A vida dele é completamente corrida e cheia de tarefas, pra completar seguimos por caminhos muito diferentes e, ter um tempo pra falar com o outro chega a ser desafiador algumas vezes. Mas de toda forma arranjamos esse tempo, há um interesse de ambas as partes de conversar com o outro, de manter a relação. Digamos que a nossa frequência afetiva seria alta.

Tenho uma grande amiga que é uma lenda! Se eu vê-la hoje pode ser eu não a encontre por um bom tempo... Mas há um interesse tão lindo dela, quando conversarmos ela realmente está ali entende? é como se ela demorasse mas quando aparecesse, quisesse ser vista. Esta frequência afetiva pode não ser alta, mas é igualmente intensa.

Frequência Afetiva é a dada proporção que os afetos representados aqui pelos amigos se dão em nossa existência. Será um termo incorporado a meu vocabulário com muita alegria. O texto me deu um horizonte de reflexão mais belo e me fez estruturar ainda mais minhas relações com o meio externo. Tranquilizando-me mais, acalmando-me mais. E você? Qual é a sua frequência afetiva?

De toda forma, sábia foi a amiga do autor do texto ao dizer: “gratidão pelo carinho e energia positiva, também por aceitar minha frequência afetiva”.

18 de janeiro de 2015

O Admirar da noite

Era tarde, cerca de uma e meia da manhã de domingo. Dante começou a ouvir as batidas na janela. Uma nuvem meio tímida estava no topo do bloco do apartamento onde residia. Ele partiu em direção a janela.

Tudo a volta parecia sem chuva... Era como se ela tivesse escolhido existir por pouco tempo. Dante estava feliz... Suas lágrimas se misturavam com aquelas gotas d'água fazendo sua solidão mais acompanhada. Pensou em falar algo para os céus, mas foi abraçado por uma brisa e resolveu fazer um monólogo sobre tudo aquilo que estava deixando-o insatisfeito e o fez... apenas em sua cabeça.

De repente parou e olhou para o céu limpo. Dante nunca soube dizer se aquele ponto laranja brilhante como os olhos do seu falecido cachorro era realmente marte... Ou uma estrela qualquer. Mas ele adorava ver e sorrir para ela. Pensava na insignificância de cada partícula em comparação ao universo (ou multi verso como gostava de acreditar). Ele se perguntou o que o deixava menos insignificante e minúsculo do que aquela gota de chuva. Não encontrou resposta.

Ali naquele segundo, Idéias, pensamentos, pingos de chuva, corpos estelares, barulhos e silêncios mostraram o segredo da existência para Dante. Que não entendeu nada e voltou para o velho colchão, prometendo a si mesmo que havia sonhado tudo. E que esqueceria de tudo no café da manhã enquanto estivesse sorrindo para seus pais. Ele nunca esqueceu.

Dante era comum e simplesmente gostava de observar. Esse comandante nunca comandou a si, mas sempre buscou comandar esses momentos sagrados....

Dante não é nada.... Só uma alma pensante que surge no admirar da noite.

2 de janeiro de 2015

Reflexões sobre si mesmo.

Em algum momento da vida você já pensou se é o que realmente se afirma todos os dias? ou que as pessoas externas afirmam? Um bom funcionário, um bom vizinho, um bom educador, um bom estudante? Bem se isso nunca aconteceu com você que fantástico, é o que está acontecendo comigo agora mesmo... estou me perguntando a cerca de 5 dias, sou um bom amigo?

Eu procuro me preocupar ao máximo com os meus amigos, não por obrigação e sim por interesse, gosto de ter a consciência que eles são parte da minha vida, de que são pessoas importantes que posso confiar. Ainda é mais estranho porque eu não tive amizade na infância, ao menos não com a intensidade que tenho hoje. Aliás se você me conhece do passado infantil e está vendo essa postagem, não tenho nada contra você e até agradeço se já me fez algo no passado, de bom ou ruim...Eu apenas não senti amizade da forma que eu sinto atualmente, com a cooperação e altruísmo que eu noto nas pessoas para comigo, ao menos na minha visão.

Tento corresponder a isso, aliás, muitas vezes sou eu quem começa esse laço inicial de amizade, geralmente eu sou o cara que vai atrás dos amigos, provavelmente porque não tive nenhum por muito tempo. Acontece que isso cansa com o passar do tempo, notar que é tudo do seu lado, da sua iniciativa faz parecer que se você não fosse atrás daquela pessoa ela nunca viria atrás de você. Você se torna de certa maneira subserviente ao meio externo. Mas o medo de perder o pouco que tenho é mais forte e geralmente acabo assumindo parte desse papel.

De uns tempos para cá eu acabei me entendo mais, me sentindo mais comum e vendo que não sou um "e.t" como pensava. Mas as coisas permanecem confusas na minha cabeça. Isso porque alguns amigos que eu estimei por muito tempo, anos pra ser exato, simplesmente sumiram da existência. E eu sofri com isso, estou sofrendo. Não só porque não entendo a situação como um todo, mas por perceber que isso pode acabar acontecendo com qualquer outro amigo.

Eu sei que nascemos sós e morreremos igualmente sozinhos. Mas qual o sentido desse meio envolver a amizade? não seria como garantir alvoradas agora que transforma-se-ão em sofrimentos amargos em outro momento? Eu não sei responder isso, porque parte de mim luta veementemente para ter amigos e para manter os que assim denomino. Amizade é uma coisa fundamental na vida, mas eu não sei dizer se a minha amizade é uma coisa fundamental na vida de outras pessoas.

Eu queria ser amargo...uma vez ser frio...apático, livre de qualquer sentimento caloroso, só pra experimentar se isso me faria sofrer menos. Se eu poderia viver mais plenamente do que ficar me envolvendo em tantas ocasiões depressivas. Eu queria também não sofrer pela dor do outro mas do que a minha, ter um amor próprio mais evidente, sabe leitor? Eu queria menos. Mas não deveria querer, deveria encarar isso com mais coragem.

Muito provavelmente esses pensamentos são desordenações da minha cabeça, devido ao momento tedioso que passo nessas férias (fugir do cotidiano sem um rumo fora o meu lar, me entristece sempre nesses meses de dezembro/janeiro).

De toda forma eu sempre gostei muito desse aforisma de um filósofo chamado Epicuro:

"O homem de sentimentos nobres aspira antes de tudo a alcançar a sabedoria e a amizade. Esta é um bem efêmero, aquela, um bem imorredouro"

Eu sempre entendi o sentimento de que o saber fosse algo imortal, isso porque uma mente que abre-se para novos pensamentos, jamais retrocede ao que era antes. Mas, mesmo sendo meu aforismo favorito, nunca concordei com a efemeridade da amizade, acho que entendo agora, ao mesmo tempo que nada vale nada, tudo que aqui está é mero passar que será consumido e reduzido a pó pelo tempo, isto se, antes não o for reduzido por uma das essências mais destrutivas do ser humano: o desinteresse.

Leitor, ninguém é de ferro, somos programados pra cair.