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10 de abril de 2018

Duro igual Concreto

Ela veio assim
Disposta a aceitar minha proposta 
sem pensar no fim
Disse pra mim
"a vida sem respostas e você pra me fazer sorrir"
[...]

Te vi de tão longe, conversamos 
pelos olhares, né?
Já botamos esperança em quem não vale fé
Nos vimos perdidos procurando 
amor em bares, é...
Encontramos superfície e desapego por milhares
Desisti de encontrar minha metade
Preferi desencontrar a decepção
preferia encontrar a felicidade
Pois já criei expectativas em vão
Sei que não devo pensar assim
Mas se tudo acontece é por acaso
Então se o caso não acontece vázio prevalece
Tudo vira nada e eu fico no raso
Sem saber porque ela me da trela indo embora
Ligação dela, melhor ignorar
se não vou instigar pra me ver
Deixou minha mente numa cela
passando replays igual V.T
Linda me diz
porque que quando você age
pode me deixar triste ou feliz?
Bem vinda e às vezes não, na madruga 
eu me relembro

Mande um sinal
Pro tempo acelerar
E depois parar pra sempre
E depois parar pra sempre

Ela veio assim
Disposta a aceitar minha proposta 
sem pensar no fim
Disse pra mim
"a vida sem respostas e você pra me fazer sorrir"

25 de março de 2017

O refletir do vermelho

Há dias que teu perigo é a mais bela das sensações
Há dias que tuas chamas me ferem
Intensidade é um dos teus nomes
E assim me atrai e me repele
És a voz que não cala
És a anunciação do caos e da guerra
És a mais quente das cores
Talvez poucos saibam ver a beleza que habita em ti
Pois teu brilho não é para todos
Mas é uma das cores mais importantes
Pois com o nobre azul, forma o roxo do meu ser.

Escrito por Isabele Sousa.

13 de setembro de 2016

Epicuro: A amizade no luxo e no escasso

Ao retornar para Atenas em 306.a.c com a idade de 35 anos, Epicuro formou um arranjo doméstico insólito. Estabeleceu-se em um casarão um pouco afastado do centro de Atenas, no bairro de Melite, entre o mercado e o porto de Pireu, e mudou-se para lá com um grupo de amigos.

Entre eles estavam Metrodoro e sua irmã, o matemático Polieno, Hermarco, Leonteu e sua esposa Temista, e um comerciante chamado Idomeneu (que não tardou em desposar a irmã de Metrodoro). Havia espaço suficiente para que os amigos tiversse seus próprios aposentos e havia cômodos destinados às refeições e às conversas em grupo.

Epicuro observou que:
"De todas as coisas que nos oferece a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade".

Seu interesse em viver na companhia de pessoas afins era tão intenso que ele recomendava que jamais se comesse sozinho:
"Antes de comer ou beber qualquer coisa, pondere com mais atenção sobre com quem comer e beber do que sobre a comida ou a bebida, pois alimentar-se sem a companhia de um amigo é o mesmo que viver como um leão ou um lobo".

A casa de Epicuro assemelhava-se a uma grande família, mas aparentemente não havia lugar para o mau humor ou para qualquer sensação de confinamento, apenas solidariedade e gentileza.

Só passamos a existir quando alguém acompanha nossa existência, o que dizemos só passa a ter significado quando alguém consegue entendê-lo. Viver cercado de amigos é ter constantemente nossa identidade confirmada; o fato de eles nos conhecerem e se preocuparem conosco tem o poder de nos tirar de nossa indolência. Em seus pequenos comentários, muitas vezes importantes, revelam conhecer nossas fraquezas e aceitá-las e, dessa forma, por sua vez, aceitar que temos um lugar no mundo.

Podemos pergunta-lhes "Ele não é assustador?" ou " Você já percebeu alguma vez que..." e sermos compreendidos, em ver de recebermos respostas enigmáticas como "Não,não exatamente" - que podem nos fazer sentir, mesmo em companhia de outrem, tão solitários quantos exploradores polares.

Verdadeiros amigos não nos julgam de acordo com critérios seculares, é nossa personalidade que lhes interessa; como pais ideais, o amor que nos dedicam não é afetado pela nossa aparência física ou pela posição que ocupamos na hierarquia social. Dessa forma não temos escrúpulos em nos apresentar diante deles malvestidos ou revelar que ganhamos pouco dinheiro este ano. O desejo de ter riqueza talvez não deva ser sempre entendido como ânsia por uma vida luxuosa. Um motivo mais importante talvez fosse o desejo de ser amirado e bem tratado. Podemos almejar a fortuna como o único objetivo de assegurar o respeito e a atenção de pessoas que em outras circunstâncias, nos desprezariam. Epicuro, ao discernir nossa carência subjacente, reconheceu que um punhado de bons amigos sinceros poderia prover o amor e o respeito que mesmo a riqueza não traz.


Alain de Botton em As consolações da filosofia. pgs 72~74

12 de agosto de 2016

"Era tarde da noite e o relógio parado na cozinha jazia no silêncio intermitente do fim de sua vida útil, dificultando qualquer tentativa de dar precisão numérica ao tempo. Junto com o relógio, a casa permanecia num luto desconhecido, sombrio e profundamente melancólico. Havia outras pessoas dormindo na casa, mas tornavam-se, pouco a pouco, paredes para quem das paredes eram pessoas. Uma sensação esquisita me subiu a espinha. Um frio seco que subia pela medula como que cavando profundos sulcos e cuja estranhíssima sensação era de um rompimento lento e contínuo de cada terminação nervosa, que em seus níveis particulares me davam a consciência física da minha existência.

Agora eu sei. Eu estava entorpecido. A droga que me pressionava para minha eterna condição era o paradoxo da minha existência não conjugada com aquilo que frequentemente chamam de talento. O que dizem? O que escuto? Colocaram-me no canto errado. Falaram tanto de quem eu não era que me esqueci de quem poderia ser. Esqueci-me no esforço de compreender quem achava que eu era memorável e na procura de respostas esqueci o caminho de volta para a realidade de quem eu fui.

São 3 da manhã. São 3 da manhã? Que me importa? Já não vivo nas quantidades. Tornei-me uma mescla esquisita que busca, num tempo de qualidade, as realidades inventadas por outros para justificar o tempo numérico que não controlam. Terminam sempre como o relógio, mais esquisitos do que a casa, e no final do dia não são mais do que a lembrança turva de um desprendimento da realidade em uma sensação estranha que nunca conseguirão descrever."

Texto por: Nathan Carneiro Parente

25 de janeiro de 2015

Velhice

"Talvez fosse isso, eu continuava pensando. Talvez eu estivesse ficando velho demais para a jinza que eu levava, irmãos. Eu tinha dezoito agora, recém-completados. Dezoito não era uma idade jovem. Aos dezoito anos, Wolfgang Amadeus havia escrito concertos, sinfonias, óperas, oratórios, aquela kal total, não, kal não, música celestial. E também havia o velho Felix M. com sua Abertura Sonho de uma  Noite de verão. E havia outros. E havia aquele poeta francês musicado pelo velho Benjy Britt, que havia feito toda a sua melhor poesia aos quinze anos, Ó, meus irmãos. Arthur, era seu primeiro nome.Portanto, dezoito não era uma idade assim tão jovem. Mas o que é que eu ia fazer?"

"Sim sim sim, era isso. A juventude precisa acabar, ah sim. Mas a juventude é apenas quando nos comportamos tipo assim como os animais. Não, não é bem assim tipo ser um animal, mas ser um daqueles brinquedos malenks que você videia sendo vendidos nas ruas, como pequenos tcheloveks feitos de lata e com uma mola dentro e uma chave de corda do lado de fora e você dá corda nele e grrr grrr grrr e ele vai itiando, tipo assim andando, Ó, meus irmãos. Mas ele itia numa linha reta e bate direto em coisas bang bang e não pode evitar o que está fazendo. Ser jovem é como ser uma dessas máquinas malenks"

 - Laranja Mecânica

18 de janeiro de 2015

"Neste mundo, há apenas dois tipos de pessoas, meu amigo: as que têm uma arma carregada, e as que cavam. Você cava."

- The Good, The Bad and The Ugly

10 de janeiro de 2015

A bondade

“A questão é se uma técnica dessas pode realmente tornar um homem bom. A bondade vem de dentro, 6655321. Bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.” - Laranja Mecânica Capitulo 8

29 de dezembro de 2014

A Amizade Verdadeira e Genuína — oferecida pelo cão

Do mesmo modo que o papel-moeda circula no lugar da prata, também no mundo, no lugar da estima verdadeira e da amizade autêntica, circulam as suas demonstrações exteriores e os seus gestos imitados do modo mais natural possível. Por outro lado, poder-se-ia perguntar se há pessoas que de fato merecem essa estima e essa amizade. Em todo o caso, dou mais valor aos abanos de cauda de um cão leal do que a cem daquelas demonstrações e gestos.
— Arthur Schopenhauer, in Aforismos Para a Sabedoria de Vida.

18 de dezembro de 2014

Citações

Nas minhas horas vagas livros e filmes me consomem. Entretanto algumas vezes certa fala ou certa frase permeiam no meu pensamento, de forma que acabo por me desdobrar naquele discurso. Aqui porei essas citações.