28 de janeiro de 2021

Sem Título 121

Envelheci
Noto agora que aquilo já não mais me satisfaz.
Quero algo diferente.

Me exauri 
Vejo que o que pouco me prendia nunca me prendeu.
A dor de ser ciente.

Me envolvi
Contemplo que as amarras que eu mesmo construí me dilaceram.
Um asfixiar recorrente.

Suprimi
Entendo que fui além de todos em me por em xeque -
Mate o onisciente.

E percebi
Esqueço que poucas coisas agora trarão o riso fácil de outrora.
Não mais sorrio de contente.

Morri
Arrebatabdo-me num descascar nato, que não deveria sobrar coisa alguma, nem existir de princípio.
Findo, somente.

É... estou velho

21 de dezembro de 2020

Sem Título 120

Queria um café.
Mas daqueles de vó.
Mas que parâmetro mais sem fé
Sem nem de fato eu tive vó.

Cheguei na casa pra acalmar meus males.
Vi novos pesares.
Me derrubaram de novo, não me canso de levantar?
O que mais me irrita é não quebrar.

Mas onde estávamos? Ah no café.
Eu queria um doce.
Queria um que fosse apetitoso, né?
Que renovasse o dia ou a noite.

Eu precisava muito desse café
Mas não me adequava em companhia
Queria me sentar num vento qualquer
Perdido, mudo, buscando melodia.

O ajuste milimétrico do chão 

desajustado,

Em vão.

Também me desajustava...

Segurei a xícara
Quase me queimei de tão quente.
Mas não conseguia largar, tão linda.
Por aquele calor era diferente, era de gente.

Tomei minha xícara e precisei de música
Cambriana lançou cd novo, vamos...
Ninguém ouviu e eu acabei terminando
Sem roma nem rima.

E foi um puxe repuxe. Todo mundo queria saber onde andava José.
José foi tomar café.
E nessa xícara tão banal.
Desejava sumir e dormir meses num cafezal.

Eu nem consegui terminar o cd ainda volto pra primeira faixa.
Fora da caixa.
Perdendo a marcha.
Que poesia sem graça.

Mas até que eu queria um tédio.
Algo médio
Pra me remediar.
Um fim de tarde, um vento no rosto e um café pra tomar.

Obrigado pelo café.

Sem Título 119

Desesperado
Afoito no aflito
Queria mar
Voar para além aqui.

É demais desejar ser feliz.

2 de maio de 2020

Sem Título 118

Ela esta sentada de frente a mim
enebriante e fria como eu
a minha musica favorita roda assim
e ao meu lado está alguém meu

O sorriso dela era brilhantemente pontual
não esbanjava brilhos e alforrias
ele tinha um olhar receptivo afinal
de alguém que já sonhara mentiras

Ele olhava pra mim, atento
mas paralisado de falar
ela olhava esguia tentando encontrar
as palavras que eu punha nesse documento

Ele por sua vez perguntava se era isso
que eu queria me tornar
ela sempre olhando me dizendo que por isso
que queria me amar

Agora sentados num dos ecos possíveis
em vida de par, que de um romance mantive
sinto a alegria de a ele informar
nem tudo se tornou o que deveria pensar

Não foram aqueles meus amigos pra sempre
nem as musicas eternamente tocadas
algumas delas já esqueci da mente
e doutros amigos, só restou mágoas.

Ela respeitosamente entendeu eu repetir a chanson
e manteve paciência enquanto eu digitava
ele não entendia mas a razão
de que por pouco eu já não me alterava

O corpo atlético nunca chegou
as rugas já dão algum sinal
ao sorriso tão brilhante depressão se mostrou
e quando saiu, a seriedade virou natural

a casa tornou-se ideia
não mais habitação
se para alguns precisava ser bela
pra mim agora só precisava chão.

Tomei coragem e segui em frente
pra aceitar a me viver com ela
sabia que não era algo recorrente
mas deveria deixar abrir a janela

que eu agora olhava pro ele meu rejuvenescido
com tantos medos e dores nos olhos, moleque atrevido.
ainda virgem de dizeres, fazeres, falares e humores
que sua vida ainda não desabrochara...flores.

Ela parecia atenta e sentia quando eu a observava
a quem tanto discuti e briguei, em mim fez morada
a tantos desencontros e ajudas desajudadas
tornou-se minha companheira nessa estrada.

O mais absurdo era ver que ainda na musica antiga
minha amada, meu ex-deni, meu antigo amigo, minha isa
dançavam todos em total sincronia
ao fervoroso passo da ainda atual, melodia...

And we will never be alone again
'Cause it doesn't happen every day
Kinda counted on you being a friend
Can I give it up or give it away?
Now I thought about what I wanna say
But I never really know where to go

So I chained myself to a friend
'Cause I know it unlocks the door


14 de outubro de 2019

Sem Título 117

"Deixa de lado a esperança
Quem espera nunca alcança
Eu cansei de esperar
Quando não se tem memória se repete
A velha história"
-Alavancô -Karol Conka, Linn da Quebrada e Glória Groove

E eu não repito, não repito jamais,
frase que fica cicatriz que sara
carrego com nojo e abuso na cara
que não esqueci o que fizeram no cais

que surtei, quando quase me afoguei
que gritei, nos mares que chorei
que esperneei, mas terra alguma eu alcancei
então agora não vem de eu entendo eu sei.

Não você não sabe,
tu não tem nem noção
não vem de falsa piedade
que não quero tua mão.

Aqueles que com peso na consciência ficam
sinto muito informar,
mas agora renascido ando de cabeça alta,
problema seu se quiser a tua, abaixar.

19 de março de 2019

Pseudo-biografia


Só de te ver, já valeu o show da vida
Só de acordar e nascer, veja o sol, nunca é tarde demais
Só de contemplar o céu, já curou toda ferida
Pode mudar e crescer, segue em frente
Tudo pronto para um novo dia
Andar, andar, amar... correr
Me sinto perto demais!
Voar, sonhar, cair... sofrer
Levantar e andar de novo!
Só de lutar e perder
Me sinto forte
Fui até a morte, voltei
E trouxe a vida

Nada na vida é fácil
Nada assim cai do céu
Nada me traz o mal, quando eu me sinto bem
Nada mais alto astral que o amor de alguém
Nada me traz o mal, quando eu me sinto bem!

-------- Falamansa - Novo Dia --------

19 de fevereiro de 2019

Sem Título 115

As únicas palavras que escuto ecoam das correntes
as únicas mágoas que me atigem soam como enchentes
Em minha executável execução executo o exercer.
Encaro aqueles que cospem e meu rosto, desde o amanhecer.

É meio dia e meu único desejo é a morte.
Morte de ideias, morte de princípios, morte da sorte.
Imploro pra que o carrasco limpe a lâmina
garantindo que do espírito não sobrar o ânimo.

prenderam-me de falar, mas aqui ainda grito.
Prenderam-me de lutar, mas penso, ainda existo.
Destruíram minhas vestes por um traje subalterno,
Pensam que dominam o mundo em seus ternos.

A moça me olhou com pena, querendo um segundo de lamúria
Eu já entendia e em meu olhar respondia, que engula sua perjúria.
Não me bastas isso, eu quero minha liberdade,
O pecado maior foi tirarem minha força de vontade.

De certa forma eu até acho engraçado
Em poucos segundos eu estarei sendo libertado.
Eles, uma pena, padecerão em seus míseros estados.
Mas estão mortos nas suas pelas consciêncas de quem os tem tomado.

O executor acaba de pisar no chão preto
consigo ouvir de longe os clarões,
das estruturas que me prederam por tanto tempo
sinto como se fossem cômodos de mansões.

Ao fogo que ateiam, sinto meu espirito se renovar,
morro desta via miserável, pra em outra existência encontrar.
Vestígios que façam minha pós-vida mais alegre.
Além das cinzas que, ainda crente, posso presenciar.